Fabrício Lemos
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Archive for October, 2008

Template Method e Exceções

Java, Padrões de Projeto 3 Comments »

Template Method sempre foi um dos meus padrões favoritos, porém quando aplicado de forma exagerada acho que ele trouxe mais prejuízos do que benefícios.

A principal razão é que ele acaba dificultando o tratamento de erros da aplicação: ao padronizar o comportamento de alguma operação para uma hierarquia de classes, ele acaba também padronizando as exceções lançadas pelo método, e é aí que está o problema.

Um dos principais problemas que vejo em aplicações legadas é o tratamento de erros feito de forma inapropriada. Já vi algumas pessoas criticando, mas considero um excelente recurso da linguagem Java a existência de Checked Exceptions, utilizadas para erros que podem precisar de um tratamento particular.

Na implementação de uma biblioteca ou de um framework, checked exceptions talvez não sejam tão interessantes. Mas, na implementação de aplicações, considero um recurso bem valioso principalmente para aquelas divididas em camadas.

Template methods não casam bem com checked exceptions pelo seguinte motivo:

abstract protected void validar(Entidade entidade);

abstract protected void logarOperacao(Object algumaCoisa);

public void salvar (Entidade entidade) {
    this.validar(entidade);
    this.dao.persistir(entidade);
    this.logarOperacao(algumaCoisa);
}

Um código como esse é comum em frameworks caseiros ou arquiteturas de referência. Geralmente fica em uma classe chamada MeuManagerGenerico, ou algo do tipo, e as diversas classes de negócio, específicas de cada entidade, devem implementar o método de validação e o método de log. O único problema com está abordagem é que você não está “amarrando” somente a assinatura e o algorítimo para salvar uma entidade, está também dizendo que nenhuma operação “salvar” do sistema lança uma checked exception.

A não ser que sua aplicação seja 100% CRUD, sem nenhuma restrição de unicidade em nenhum atributo, acho que essa é uma restrição muito forte e que não se aplica.

Dessa forma, se alguma regra de validação ou regra de negócio específica não for atendida, como você comunica para a camada superior (provavelmente a camada de visão) sobre o problema ocorrido? A única maneira é lançar unchecked exceptions.

Usando unchecked exception, como as camadas superiores saberão quais exceções lançadas pelas camadas inferiores? A única saída seria a camada inferior antecipar o tratamento dado ao erro, de maneira que a camada superior não precise trata-lo. Já vi muito essa abordagem com a exception tendo como atributo a chave da mensagem que será exibida ao usuário. Dessa forma a camada superior iria somente exibir a mensagem, não importando qual seja a exceção. Isso é um exemplo claro de quebra da divisão de responsabilidade entre as camadas. Se as camadas inferiores tem que antecipar de alguma forma a maneira como as camadas superiores fazem o tratamento de erro, porque você divide sua aplicação em camadas em primeiro lugar?

Esse um bom exemplo de que “amarração de código” e antecipação de necessidades podem trazer prejuízos não antecipados. Imagino que desenvolvedores que fazem template methods para operações com algoritmos simples como “salvar”, “atualizar”, “deletar”, etc só podem ter duas coisas em mente:

1. Economizar código.

Esse pensamento vem do falso sentimento de que uma aplicação enxuta é uma aplicação com pouco código. Temos que tomar cuidado pra não exagerar nas simplificações e não enxergar abstrações onde elas não existem ou são prejudiciais.

2. O desenvolvedor pode esquecer de fazer a validação ou gravar o log ou qualquer coisa do tipo, então “amarra-se” esse algoritmo em um template method.

Se seu desenvolvedor não sabe como fazer uma validação correta ou alguma dessas operações, ele não deveria colocar as mãos no código sem que estivesse fazendo programação em par com outro mais experiente.

Mesmo com essa armadilha, ainda acho válida a utilização do template method, mas somente nos raros casos onde se pode antecipar os erros de toda a hierarquia de classes e quando a complexidade do algoritmo justifique essa abordagem.


October 29th, 2008 |

Tags: Java, Padrões de Projeto, Tratamento de Erros




Glassfish ou Jboss + JON

Java, Servidores de aplicação 7 Comments »

Iniciamos um processo de decisão sobre qual servidor de aplicação passaremos a utilizar em nosso ambiente. A motivação é que o velho Jboss de guerra não está mais dando conta do recado. Não que o Jboss não seja um ótimo servidor, muito pelo contrário. A questão é que o seu ponto mais criticado, a administração, começou a cobrar seu preço. Iremos aumentar consideravelmente o número de servidores em produção (assunto outro post) e uma interface de administração central, mais produtiva e confiável, passou a ser uma necessidade.

Depois de uma análise prévia, vimos que duas soluções poderiam atender nossas necessidades: Glassfish ou Jboss + JON.

O Glassfish é uma promessa que virou realidade, mas confesso que ainda não me convenci, culpa mais pela pouca experiência que tenho com esse servidor do que por sua qualidade, que ele é a melhor solução para o nosso caso. De qualquer maneira, nesses estudos prévios e na apresentação do Kohsuke, acabou subindo muito no meu conceito.

O Jboss já é um velho conhecido e ainda está no páreo, levando em consideração a utilização do JON. O JBoss Operations Network me pareceu ser uma ferramenta realmente fantástica que permite a administração e monitoramento de muitos e muitos e muitos pontos, desde o sistema operacional, passando pelo servidor de aplicação e chegando nas aplicações. Seu lado negativo é que é uma ferramenta paga.

Tomcat está fora da jogada. A maioria das nossas aplicações utilizam Spring, mas algumas mais novas já estão em EJB e futuramente iremos para o Jboss Seam ou Web Beans, como preferirem (também assunto para outro post). Ainda existem algumas outras alternativas, mas a princípio os principais candidatos são esses dois mesmo.

Bem, a análise ainda está em andamento e os principais pontos ques estamos analisando são:

- Administração: facilidade de administrar e monitorar remotamente múltiplas instâncias de servidores.

- Performance: para essa avaliação buscaremos análises de instituições independentes.

- Ambiente de desenvolvimento: facilidades de utilização do servidor de aplicação no ambiente de desenvolvimento:  integração com o Eclipse, tempo de start up e deploy, facilidade de debug, hot deploy, etc.

- Documentação técnica: disponibilidade e qualidade da documentação técnica disponível: manuais, tutoriais, wiki e fóruns

- Suporte técnico: disponibilidade de suporte 24×7. Considerando custo, meio (apenas via web e e-mail ou por telefone também), idioma (em português ou inglês) e tempo de resposta.

- Aderência à especificação: aderência à especificação Java EE 5, incluindo a velocidade em que são lançadas novas versões da ferramenta quando saem novas versões da especificação.

- Custo da migração: custo associado à migração do ambiente atual para o servidor de aplicação escolhido. Atualmente temos aplicações em produção tanto no Jboss quanto no Glassfish

- Custo do software: custo de aquisição de ferramentas necessárias para administração ou desenvolvimento no servidor de aplicação.

- Cases de sucesso: existência de casos de sucesso de sistemas em produção usando o servidor de aplicação.

Estes dois servidores possuem um grande comunidade de usuários, então, caros colegas e recém chegados leitores, sintam-se a vontade e estimulados a deixar algum comentário caso tenham alguma opinião ou experiência relativos a qualquer um desses pontos do Glassfish ou Jboss + JON.


October 2nd, 2008 |

Tags: Glassfish, Java, Jboss, JON, Servidores de aplicação




Automatização de testes funcionais

Testes automatizados, Testes funcionais 2 Comments »

Oi pessoal, nesse primeiro post vou falar de testes automatizados. Quem me conhece sabe que esse é um assunto que me interessa muito, mas desta vez o assunto não é teste de unidade, e sim testes funcionais, muitas vezes chamados de teste de aceitação.

A realização de testes funcionais é uma prática bem mais difundida do que testes de unidade. É uma disciplina presente em qualquer metodologia de desenvolvimento, até mesmo porque o cliente em algum momento do ciclo de vida do projeto vai querer verificar se o que foi desenvolvido satisfaz suas espectativas.

O que não é uma prática difundida é a automatização dos testes funcionais e sua utilização desde as fases iniciais do desenvolvimento. Enquanto testes de unidade vem ganhando atenção, principalmente com a popularização de metodologias ágeis como XP, a automatização de testes funcionais, também defendida por esta metodologia, não tem ganho a mesma atenção.

Em vários projetos já vi diversos motivos para o não investimento na automatização. O mais comum, infelizmente, é nem sentir sua falta. Se se trabalha com um processo cascata, a fase de teste só é realizada uma vez (no final do projeto) e não existe muito overhead para ser eliminado. Nesses projetos a equipe geralmente tem tantos pepinos que qualidade de software chega a ser um luxo.

Em outros, a preocupação com qualidade do software parte de quem realmente bota a mão na massa: os desenvolvedores. Estes, por estarem muito envolvidos com aspectos de baixo nível, se preocupam em testar o código e delegam, de certa forma, o teste a nível de usuário para a “equipe de teste” ou para o cliente mesmo. Pelo menos era assim que eu agia.

Mesmo sem a preocupação com a automatização de testes funcionais, estava tudo funcionando perfeitamente. O investimento em testes de unidade estava dando um ótimo retorno e, aliado a algumas outras práticas,  fazia com que as iterações terminassem em sua maioria sem nenhum bug e com o cliente bastante satisfeito. Porém, os sistemas em que trabalhei com essa abordagem tinham algo em comum: os testes de unidade eram feitos a partir do dia zero.

A frustração veio quando, ao entrar em um projeto em andamento e com alto índice de instabilidade, testes de unidade não mostraram ser uma boa ferramenta para começar a resolver o problema. Neste projeto as entregas não eram confiáveis. O sistema tinha muitos bugs e, a medida que eles eram corrigidos, outros apareciam ou retornavam. Intuitivamente, para identificar os bugs e evitar que eles voltem, pensamos em adotar testes de unidade. Porém não obtivemos a resposta esperada.

A causa era simples: Uma grande vantagem dos testes de unidade é a exposição de locais em que o design do código poderia ser melhorado. Dessa forma, ao implementar os testes de forma tardia, você vai achar diversos pontos em que o sistema precisa de uma refatoração. Mas como realizar as refatorações necessárias se a cobertura dos testes ainda está bem pequena e não te dá garantia que não vai quebrar o sistema?

É aí que entra a automatização dos testes funcionais. Por ser um teste completamente caixa preta, você pode de maneira bem mais rápida alcançar uma boa cobertura dos testes. Daí em diante você vai se sentir mais seguro para fazer as refatorações necessárias, de preferência já encaixando os testes de unidade também. Além, claro, do ganho óbvio na identificação de erros no sistema.

Pretendo em outros posts falar mais da automatização de testes funcionais. Nesse primeiro momento queria somente destacar sua importância, principalmente para sistemas legados. Posteriormente espero escrever sobre quais ferramentas e práticas estamos utilizando, além da dificuldade e benefícios encontrados.

Functional tests are the first type of tests any application should have. If you had to choose between writing unit tests or functional tests, you should choose the latter.

Junit in Action


October 2nd, 2008 |

Tags: Refatoração, Testes de Unidade, Testes funcionais




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